E então a princesa esperava sentada numa cadeira de madeira antiga, forrada com um tecido vermelho gasto do sol e bordados dourados, sujos pela humidade que entrava da janela pela qual olhava durante horas.
Ela esperava e esperava, horas a fio, sentada naquela cadeira a mirar o portão da entrada do jardim real que rodeava o palácio com os seus tons vivos e alegres. E de cada vez que entrava um príncipe disposto a casar com ela e "amá-la para a vida toda", ela recusava, escusando-se de que eram feios, sem modos, mentirosos, tinham má fama ou algo do género.
Não havia um príncipe que servisse, mais do que isso, não havia um homem que servisse. A princesa já não sabia como esconder a sua atração por mulheres. Tinha medo do que a sociedade retrógrada pudesse pensar e esperava, olhando pela janela, que chegasse uma mulher como ela com quem fugir.
Por não querer mostrar-se como era e lutar, acabou por se casar com um homem e viveu infeliz por se trair a e ela mesma. Assim como muitos homens e mulheres que calavam, sofrendo para não sofrer.
PS (para todas as princesas e príncipes como a da história): Se não gostas do fim, muda-o!
Spark ❤
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