22 dezembro 2020

Rapaz e rapariga

Vamos supor que eu sou uma rapariga que tem uma amiga. E que, da mesma maneira que tem uma amiga, tem um amigo.

Enquanto rapariga, eu posso sair com uma amiga sem ser criticada. Já com um amigo, tenho o direito de me sujeitar a comentários por parte de terceiros e a culpa é claramente minha, pois ao saber que os outros vão julgar, deveria evitar tais comportamentos.

Ora, em primeiro lugar: Quem garantiu à sociedade que eu sou heterossexual? Quem garantiu sociedade que eu não sou homossexual ou bissexual? Tudo o que, supostamente, pode acontecer com um rapaz, pode, perfeitamente, acontecer com uma rapariga. Se não acontece, é porque eu não quero.

Em segundo lugar: Porque é que eu não posso ter amigos que sejam só isso? Amigos! Porque é que eu não posso estar solteira sem que me tentem juntar com alguém? Sendo que a vida é minha, a decisão de estar ou não com alguém é também MINHA.

Em ultimo lugar: E se por acaso estiver mesmo com esse "amigo"? E se por acaso quiser manter a relação secreta? Como pessoa, tenho direito à minha privacidade e NINGUÉM tem a ver com o que eu não quiser contar. 

Então, finalmente, podemos chegar à conclusão que eu, ou qualquer outra pessoa, posso sair com quem a mim me apetecer, seja rapaz ou rapariga, fazer o que quiser e não ser julgada. Entendido?

Spark ❤

05 dezembro 2020

A atual Idade Média

E então a princesa esperava sentada numa cadeira de madeira antiga, forrada com um tecido vermelho gasto do sol e bordados dourados, sujos pela humidade que entrava da janela pela qual olhava durante horas.
Ela esperava e esperava, horas a fio, sentada naquela cadeira a mirar o portão da entrada do jardim real que rodeava o palácio com os seus tons vivos e alegres. E de cada vez que entrava um príncipe disposto a casar com ela e "amá-la para a vida toda", ela recusava, escusando-se de que eram feios, sem modos, mentirosos, tinham má fama ou algo do género.
Não havia um príncipe que servisse, mais do que isso, não havia um homem que servisse. A princesa já não sabia como esconder a sua atração por mulheres. Tinha medo do que a sociedade retrógrada pudesse pensar e esperava, olhando pela janela, que chegasse uma mulher como ela com quem fugir.
Por não querer mostrar-se como era e lutar, acabou por se casar com um homem e viveu infeliz por se trair a e ela mesma. Assim como muitos homens e mulheres que calavam, sofrendo para não sofrer.
PS (para todas as princesas e príncipes como a da história): Se não gostas do fim, muda-o!
Spark ❤

"Só" uma crise de ansiedade

É um sentimento até um pouco egocêntrico, porque penso que todos estão a olhar para mim ou até mesmo a julgar-me, como se eu fosse tão impor...